Gripe A gera dúvidas dos pais sobre a volta às aulas
Diversas instituições de ensino têm encaminhado orientações aos pais para evitar que a gripe se propague no ambiente escolar. E uma das principais recomendações é aquela que você já sabe: crianças com sintomas de gripe devem ficar em casa.
CRESCER conversou com Orlando Conceição, infectologista do Hospital São Luiz, em São Paulo, que esclarece às principais dúvidas sobre o retorno às atividades escolares. Confira.
O que pais e professores podem fazer para controlar a propagação do vírus?
Prestar muita atenção em alunos com sintomas respiratórios é fundamental. O melhor lugar para uma criança que tem tosse, dor de garganta, espirros recorrentes, entre outros sintomas, é em casa. Além disso, os professores devem orientar as crianças para que lavem suas mãos com água e sabão várias vezes ao dia (ou utilize álcool gel), não compartilhem objetos, como lápis, borracha, toalhas, e evite contato muito próximo com seus colegas, com beijos e abraços.
Meu filho precisa levar um kit especial para se proteger?
Verifique com a escola a necessidade de você mandar esse material na mochila do seu filho. Se for preciso, separe um pacote de lenços descartáveis e álcool gel (que vai depender da idade da criança e sempre sob supervisão de um adulto). Mas lembre a ele a importância de lavar as mãos com água e sabão. Se a instituição tiver bebedouro, vale a criança levar uma garrafa térmica de casa.
A utilização de máscaras pelos alunos pode ajudar na prevenção?
Isso é uma bobagem para pessoas que não apresentam sintomas. Se uma criança contaminada usa as mãos para conter o espirro e, em seguida, toca outra criança com máscara, a transmissão acontece da mesma forma. Além disso, o uso deste acessório pelos alunos não é prático. “Duvido que uma criança fique com uma máscara no rosto por mais de 15 segundos”, afirma o especialista.
Quando a máscara deve ser usada?
Deve-se usá-la somente quando a criança já está contaminada ou no contato próximo com outra pessoa sabidamente doente. No caso de pais sadios que estão cuidando de filhos com a gripe H1N1, por exemplo.
Qual a melhor forma de se higienizar as mãos?
É preciso lavá-las com frequência, usando água e sabão. Quando a criança espirra ou tosse, deve usar um lenço descartável para fazer a higiene, desprezá-lo e lavar as mãos imediatamente. O álcool gel é uma opção para complementar a limpeza, mas deve ser utilizado apenas na presença de adultos.
Se a higienização não for feita, o vírus permanece nas mãos da criança por algumas horas, aumentando a velocidade da transmissão.
Como proteger um bebê que vai para o berçário?
O cuidado é tirar pessoas doentes do ambiente para o qual ele vai. Se houver casos no berçário, é melhor ficar com o bebê em casa – desde que os pais não tragam o vírus de fora.
Quando eu preciso deixar meu filho em casa?
Se seu filho está com febre acima de 38º – somada a outros sintomas de gripe – a indicação do Ministério da Saúde é que ele fique em casa pelas duas semanas seguintes (14 dias), até o fim do período de transmissão da doença. Qualquer pessoa doente começa a transmitir a gripe um dia antes de sentir os sintomas. Além disso, crianças podem repassar o vírus por até 14 dias – enquanto adultos transmitem por 7 a 10 dias. O fato de não lavar as mãos logo após tossir ou espirrar inicia uma cadeia de contaminação que se propaga rapidamente enquanto as crianças brincam e interagem.
O número de casos ainda pode aumentar?
Toda epidemia tem, inicialmente, uma curva ascendente no número de casos e, com o passar do tempo, produz uma curva descendente. A sociedade precisa deixar de encarar a influenza como uma “gripinha”. Gripe é gripe, seja o tipo que for. Não é uma doença leve e deve ser tratada com seriedade.
O aumento das temperaturas no 2º semestre enfraqueceria ainda mais o crescimento do número de casos?
Com certeza. A gripe é uma doença do frio.
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